Bem Vindo

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quarta-feira, abril 19, 2006

Kama Sutra Musical


O Brasil é país de várias culturas, vários gostos e muitos ritmos musicais. Nossa herança miscigenada nos deu de presente um vasto repertório (que o jeitinho brasileiro já deu conta de mixar tudo e inventar mais nuances). Somos identificados no estrangeiro pelo samba, mas dependendo para que recanto do país o turista vá, conhecerá muito mais que isso. É bom que seja assim. A criatividade deve sempre ser estimulada e hoje nem é preciso ter gravadora para lançar um cd. Divulgação, todos sabem, fica a cargo da nossa querida internet.

Acompanhando os contornos que o meio musical mostrou de uns tempos pra cá vemos que vez por outra há um movimento que se impõe sobre todos os ritmos. Dependendo de como andam as coisas as letras ganham contornos mais políticos, se a onda é cantar a paz temos enxurradas de músicas “zen” ou permeada de influências orientais. Há o boom dos cantos evangélicos e o temido funk, que mostra pra sociedade que no morro mora gente igual a você. Cantar o amor é figurinha carimbada e não conta. Embora traga seus desdobramentos cantar o amor é para ontem hoje e sempre.

Talvez pouca gente veja isso como mais um “movimento” (e tomara que nem seja mesmo) mas já há uma boa quantidade de músicas que tratam de nada mais do que uma relação sexual. Isso aí! Não se trata de cantar o fazer amor, ou de insinuar que dormirá com sua amada, ou que sente falta do calor de seu abraço. Me arrisco dizer que a zona começou quando o extinto Gera Samba entoava sua “boquinha na garrafa” e ordenava que a dançarina descesse mais um pouquinho – devagarinho – claro. Era só o começo. Pouco a pouco cenas e mais cenas foram descritas e passaram por vários ritmos. A eles não bastava dizer que se fazia sexo. Contam em minúcias o que vão fazer, como vão fazer e o quanto gozam. O funk logo tomou corpo ao entrar na moda e revelar ao mundo que seus MCs não lavaram a boca com sabão. A boquinha na garrafa virou coisa inocente. A moça agora já estava atoladinha. Quem observa sentia saudade do tempo em que Fagner cantarolava que queria ser um peixe, pra em seu límpido aquário mergulhar. O público ginecológico de hoje deve achar que ele contemplava aquários...

O forró aqui no Nordeste não ia perder uma bocada dessas (no bom sentido viu?). O ritmo das sanfonas vinha ruminando velhas fórmulas desde que entrou nas guitarras elétricas. Fazia suas letras de amor, traduzia de forma ridícula grandes sucessos internacionais e teve um brilho extra com a chegada do Calipso. Como não poderia deixar de ser, descobriu que a onda do momento é descrever peripécias sexuais. Quase um kama sutra nas ondas do rádio, em que um cd deixou de ser coletânea – podem botar o nome de orgia que ele responde.

Sintonize qualquer rádio popular por um tempo e você ouvirá “Lapada na Rachada”. Hit que nasceu da cabeça de alguém que pode até ter conhecido o eufemismo, a poesia ou a metáfora, mas preferiu a escatologia. Retrato de um Brasil onde as meninas podem ouvir esta música junto com a família, mas não se atrevem a perguntar o que a mãe pensa sobre camisinha. Em Lapada, a moça implora por sexo e geme enquanto ele pergunta se está gostoso. Ao vivo deve ser um show hilário. Eles no palco “cantando” e o público em êxtase acompanhando... pra quê motel?

Já disse aqui que sei que para sair algo que preste, muita coisa rasa tem que ser produzida. Sei também que forrozeiro precisa viver. O medo é que para fabricar um sucesso eles estão indo cada vez mais fundo. O preconceito contra o forró pode crescer de novo e o que estava ganhando o Brasil tende a ficar confinado por aqui. Ainda dá tempo de reagir pra depois não ficarem alisando o bichinho deles sozinhos.

7 comentários:

  1. Ei, eu ouvi esta música. Meu, é muito ruim. Chega a ser engraçado de tão surreal que é. Mas deus me livre ouvir só rádio. Suas reflexões estão certas mesmo. Ainda bem que isso passa e eles não entram pra história

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  2. Falou bem, Layana.
    Pra mim o forró é gênero em extinção. O que se toca hoje ans rádios é mesmo esse tal de "calipso" que além de ser nome de uma dupla, é um ritmo que não tem nada de nordestino.
    Forró não tem guitarra elétrica, sax e teclado; é forró, triângulo e zabumba e canta (e conta) a vida do povo, suas peculiaridades, alegria e amor mas sem apelar pra escatologia.
    O que se houve nas rádios hoje (não por mim) é, longe de parecer moralista, uma vergonha!

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  3. baixei só pra ouvir. É impressionante. Devia ser proibido

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  4. Gustavo Szilagyi22 abril, 2006 20:06

    A que saudades que sinto da velha e boa senssura nestas horas...

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  5. Lay,
    demais seus textos...como você!
    Em um mundo sem limites, a música acompanha a dança.E as estações de rádio,o mesmo destinado ao povo.
    Não acredito na extinção do Forró,é e sempre foi um ritmo regional.O trasmutado forró "que ganhou o Brasil"("um ritmo mais moderno,aperfeiçoado e refinado")(???)não passa de um monstrengo que pouco modificará a imagem preconceituosa que o sul tem de nós paraíba.Seja com lapada ou sem lapada!
    Beijos
    Rachel

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  6. Nossa, depois de estar sempre lendo tudo o q vc escreve com imensa admiração e alegria hj resolvi escrever aqui tbm. Nossa, a forma como vc usa as palavras, a imparcialidade, informação, tudoooo....simplesmente lindo. PARABÉNS AMIGA!!

    Sobre o tema de hj achei fantástico. Falou o q muita gente gostaria de falar mas jamais saberia expressar tão bem.
    Que issso nos ajude a filtrar ainda mais tudo o que ouvimos não só no funk ou no forró como tbm no mundo gospel, evangélico q muitas vezes soa inocente mas tem tanta coisa podre!!! Falo isso pq gosto de ouvir musica gospel e conheço cada coisa louca!! Estou comentando isso pq em todos os estilos deve existir um filtragem nossa, passar pelo cérebro, entende?? Parece q as vezes engolimos tudo sem refletir, entra tudo parace que por osmose.
    ACho q já falei demais.

    Amo vc amiga...sou sua fã!!!

    Bjos

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