Bem Vindo

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terça-feira, maio 02, 2006

Lapada na Censura


Ontem me pegaram pra Cristo. Minha cunhada descobriu que meu filho de sete anos gravou lapada na rachada em um CD. Isso aí mesmo! Tanto atentou a mim e ao tio que, não suportando mais tanta insistência, o pimpolho ganhou sua lapada para ouvir quantas vezes quiser. A lista de impropérios foi grande. “Como você escreve esculachando a música e seu filho grava? Você permitiu isso?” Argumentei que tanto fazia ter ou não um cd já que o hit toca no rádio toda hora (e, convenhamos, eles capricharam no ritmo). Não convenci. “Mesmo assim, desse jeito é um incentivo seu” terminei a conversa com um péssimo eu não acho.


Mais tarde, como a gente se adora, voltamos ao assunto. A junção de uma pedagoga com uma jornalista pode ser surpreendente! Mesmo levando na brincadeira deu pra ver que ela realmente acha insano como eu libero quase tudo pra ele. Não sei muito sobre criar crianças, mas sei pelo menos o triplo sobre como não cria-las. Estou certa de que esconder dos pequenos as mazelas do mundo, proibir manifestações de gosto pessoal, vetar coisas ou amigos em casa e fazer do lar o “ambiente puro, onde não se vê não se escuta nem se fala porcaria” é problema na certa. Funciona de mentirinha só enquanto são pequenos. Depois o castelo da mãe iludida cai e ela diz que não sabe de onde o filho tirou aquelas idéias...


Eu também não queria ele escutando lapada. Assim como não queria que ele colocasse a mão suja na boca quando era pequeno, gostaria de ter evitado as quedas que castigam joelhos e cotovelos, preferia que não brincasse com meninos malvados e muitos etc. O que eu aceito deve levar muita mãe pro analista. Ele pode ser pequeno e depender de mim, mas isso não me dá controle sobre a mente dele. Só permitindo eu posso ajudá-lo a escutar também outras coisas, filtrar e chegar por ele mesmo à conclusão de que aquela música não vale nada.


Inteligente como sempre, a pedagogia aceitou os fatos do jornalismo nu e cru. Na minha profissão é preciso se basear em fatos, a análise nunca acontece por hipóteses. O que vejo são adolescentes que não conversam nada com os pais. E pais que acham seus filhos um primor de educação porque “aqui em casa nunca deixei entrar essas coisas”. Eu deixo porque sou ponte, não sou parede. Quero que ele tenha a certeza que pode me mostrar qualquer coisa que queira (e olha que ainda assim ele vai esconder muuuita coisa – experiência própria). Eu deixo porque acho que a educação da hipocrisia já fez vítimas demais. Deixo principalmente, porque assim deste meu jeito ele já ouve também Gal Costa, Mozart, The Calling, Chico, Beatles, Luiz Gonzaga e muita coisa boa! Será que os anjinhos que são proibidos de ouvir lapada já passaram de Xuxa?


5 comentários:

  1. Pois éh. Liberdade é bom, mais libertinágem não. Da mesma forma que se pode dar liberdade, pode estar se dando espaço para libertinagens, e isso é extremamente prejudicial. É claro que sempre os outros "saberam" criar melhor o seu próprio filho. Esquecem de olhar pro próprio umbigo. Já tô meio cansado de ver Pedagogo e Psicologo dizendo: não faça isso, crie assim, haja desta forma... e no fim vemos adolecentes e país cheios de problemas e precisando, agora sim, de um analísta.
    Vc não pode determinar o gosto musical de seu filho, mas pode orientar, e isso vc tem feito com muita propriedade, mas sigo dizendo: cuidado com a libertinagem...

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  2. Klênia Mílvia05 maio, 2006 13:30

    Muito bom, é bom quando a gente consegue explicar porque toma certas atitudes. Conhece a comunidade "dá licensa que o filho é meu" do orkut? É bem pra mostrar como a galera gosta de opinar

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  3. Oi Klênia
    eu conheço sim a comunidade, mas ao invés de espernear gosto de explicar tudo nos mínimos detalhes. Além do mais amo minha cunhada. Ela é uma fofa que quer o melhor pro sobrinho. Beijos

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  4. kkkkkkkkkkkk
    hilário isso. Muito bom transformar um embate de pontos de vista num texto suave e gostoso de se ler.

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  5. Criamos filhos pro mundo e o mundo está cheio dessas coisas, e convenhamos, todo mundo faz coisas que não podem ser ditas abertamente, mas todo mundo faz. Claro que pra uma criança não se fala com riqueza de detalhes como ele foi parar na barriga da mãe mas ele uma hora tem q saber, e é melhor que seja bem orientado pelos pais do que mal orientado pelos "amigos". Não adianta querer protegê-los do mundo...

    Virginia

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